Por um milagre (15/03/2015)

Estou desfugurado, hoje,15/03/2015. Não me agrada descrever assim. Sem inspiração alguma e valerá apenas como relato. De fato é o dia da 38a.  injeçãode interferon. 38 semanas em que a maior  parte do tempo estou fora  de Manaus, onde moro.  Os efeitos têm-me consumido. Estou com o menor peso desde o início do tratamento. Dentre tantos indicativos, as plaquetas em 23 sugerem parar com a medicação (interferon)  composta ainda por Vitamina  k e eritropoetina. Não consegui a cura.

As lágrimas são companheiras da noite. Leio Salmos e os  louvores são constantes. Mantenho a fé. Mas peço para interromper o tratamento, também  conto com o consenso médico.

Paralelamente ao meu drama, registro a lição do povo  do meu Acre que me encorajam a  ser forte. Ainda que um tsunami, vulcão, terremoto ou sei lá o quê tentem  abalar minha vida. É que, depois  de muitos dias de chuvas, Rio Branco é notícia nacional pela maior enchente da história do Rio Acre. Exemplos de solidariedade estão por todos os lados. Resignação para com os efeitos duro desse  fenômeno da natureza. Vários municípios estão debaixo d’água. Pessoas perderam móveis. Prejuízos materiais muito duros. A casa da minha mãe pela primeira vez alagou.

O que resta falar é que estou em uma quarta tentativa de tratamento. Vivo em agonia pura. Noites sem dormir.   Feridas  que não cicatrizam. Fraqueza indescritível. Tento inovar consumindo  substâncias naturais.  Neste momento coisas esquisitas: sangue de dragão e casca de castanheira.
Continuo morando sozinho  no  conj. Manoel Julião. Com idas e vindas a Manaus. O que posso dizer?  Não murmuro, mas choro, clamo . Ouço louvores, oro, não sei se nessa ordem.

Por esses dias estive em um culto de domingo  na igreja Batista., aqui em Rio Branco. “Igreja Batista Regular Emanuel”. Revi amigos  com quem convive  há 40 anos. Pedi naturalmente oracao.

Encontro amigos de infância e alguns nem disfarçam: Cara, tu estás acabado…

Ainda assim o que posso caminhar eu o faço. Hoje o dia está lindo. Ensolarado mesmo. Como  a me convidar a esquecer provisoriamente coisas  ruins e acreditar que vai dar tudo certo. Quem sou eu para duvidar… quanto mais quando o vento parece sussurrar: Eis que farei coisas novas…

Otan

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