Perguntem ao Jamelão (01;12;2013)

Perguntem ao Jamelão

 

Questionamentos e mais questionamentos me surgem. Indagações abundam. Por que não me curo. Talvez porque não seja o tempo de Deus fazer a diferença.  O porquê disso me intriga. Isso será uma aula do uso do por que. Eu questiono tudo junto e quero as respostas separadas. O ponto é que tenho recorrido a Deus, com sinceridade. – Senhor, sei que não mereço. Sou um sem-vergonha, folgado, julgador… Cabem vários adjetivos ruins. – Mas, Senhor, me cura assim mesmo. Por hoje me deixa jogar mais uma pelada… (Futebol sem os Neymar, embora tenha sempre quem se ache). Ainda que me baixem mais a plaquetas, as hemácias, subam as enzimas etc… E o Senhor tem deixado…  Mas fica no limite da minha irresponsabilidade.

Recentemente me encontrava em meio às  gravioleiras  (mãe das graviolas) – que dizem ser 10.000 vezes mais potente que a quimioterapia – cajueiro, capeba, gengibre, mastruz, amor-crescido e Azeitona preta (conhecida em algum lugar como Jamelão). Tudo ali que o Senhor colocou no meio do meu pedaço de chão. Conselhos para o uso de alguma combinação dessas plantas nunca me faltaram. Já experimentou… E isso com aquilo… Mas só serve se passar a noite no sereno… E várias dicas que encheriam um livro. Claro que há essas produções.

Enquanto vou ao ambiente das peladas escuto até sussurros… Para trabalhar esta morrendo… Registro, mas  Ignoro a falta de sensibilidade.  Diria que todo mundo vê as cachaças que eu tombo (é uma bebida muito forte brasileira), mas não vêm as quedas que eu bebo… Estarei aproveitando hoje que estou com um pouco de febre para desabafar. Repito que não penso em coisas ruins e que enquanto houver um célula (sadia ou não)  vou querer brincar e glorificar a Deus. Tenho feito.

Hoje de tantas grosserias anteriores resolvi conversar com a gravioleira.

- Bom dia… Hoje serei amistoso, pedir-te-ei licença para arrancar-lhes os galhos, amputar outras de tuas partes… Por gentileza, fará muito bem e existimos para ser uteis. Eu estou precisando… Por favor…

- Finalmente… Mal-educado… Aproveita e faz o mesmo com o cajueiro e o Jamelão de quem tens arrancado o couro. Eles estão puto. Faz um afago.

- Mas Deus os fez para alguma serventia. Por que a revolta…

- Na verdade, se eu não conhecesse Deus, pensaria que fosse você… Com um terçado na mão você é um bicho feroz… Sem ele…

- Pode parar… Desculpa, mesmo, vou começar a acreditar que vocês são seres vivos… E estarei indo me redimir com os demais colegas.

- E aí… cajueiro velho… Beleza… Busquei ser mais usual.

- E aí… Faz tempo que a gente se diverte contigo, com esse teu jeito escroto de andar… A gente canta um musica do Martinho da Vila…

- Qual… Aquela que alguém morreu no meio da rua… É devagar é devagar, devagarzinho…

- Não… Não… Escuta… O caveira negra… negra… Em mais um fim de semana encontrei com o caveira… Iiiiieeeee!!!!. Mas vá ao Jamelão. Sua dívida com ele é maior…

- E aí ingrato… Antecipou-se o Jamelão. Arranca minha pele toda semana. Não pede nada… Espetou-me com armadores enormes  para atar redes, que ainda esta na minha carne. Fez parte da casa debaixo de minhas asas. Ronca pra porra… De dia…

Não lhe respondi, mas sorri agradecido e arrependido. O Negao entendeu. E me perdoou.

- Você é gente boa… Só andava distraído…

Naquela mesma tarde estabeleci a paz com todos. E ao final o Jamelão chamou para contarmos…

- Me leva que eu vou… sonho meu…

Atualmente tenho dado bom dia pra tudo que é verde (eventualmente amarelo, vermelho, branco…), florido e cheiroso e sei que o conjunto da obra, pela graça de Deus, tem-me deixado chegar até aqui. Enquanto o abacateiro e a laranjeira disputam para me oferecerem mais um chá…

- O Jamelão me autorizou a anexar a foto em que ele abriga parte da rústica casa. Sairá no próximo fim de semana, por enquanto mandaram-me apenas a inspiração.

Louvado seja o nome do Senhor.

Otaniel

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